
Mourinho no Benfica: O que (quase) ninguém teve coragem de contar!
O regresso de José Mourinho ao Benfica tem feito correr muita tinta, mas há um episódio pouco falado que ajuda a perceber porque é que este reencontro demorou mais de duas décadas a acontecer. O caso remonta a 2002, quando Mourinho recusou regressar à Luz… e tudo por causa de um nome: Jesualdo Ferreira.
Sim, leste bem. O homem que hoje é o novo treinador das águias, com contrato até 2027, chegou a dizer que não queria trabalhar ao lado de alguém que considerava um “burro”. Esta expressão dura, que está registada na sua própria autobiografia e em declarações à imprensa, foi dirigida a um antigo professor seu da Faculdade de Educação Física. Mas vamos por partes.
O episódio que atrasou o regresso: Mourinho vs Jesualdo
Depois de uma curta passagem pelo Benfica em 2000, José Mourinho esteve prestes a voltar ao clube em 2002. A direção da altura queria o seu regresso, mas colocou uma condição: que Jesualdo Ferreira fizesse parte da equipa técnica. A resposta de Mourinho foi clara como água – e brutal.
“E se um dia tiver de usar um palavrão num treino? Teria vergonha de o fazer à frente do professor.”
Foi esta a justificação que deu ao então presidente Vilarinho, depois de duas reuniões falhadas. Mas, nas entrelinhas, o que Mourinho queria dizer era outra coisa: simplesmente não queria Jesualdo ao seu lado. Considerava-o ultrapassado, teórico demais, e sem currículo para justificar um lugar ao seu lado.
Na sua coluna publicada na revista Record Dez, em 2005, Mourinho voltou à carga com uma comparação feroz:
“Esta podia ser a história de um burro que trabalhou 30 anos mas nunca se tornou num cavalo.”
As palavras não deixaram margem para dúvidas: havia uma mágoa antiga entre os dois – e o “burro” era, alegadamente, Jesualdo Ferreira.
A ironia do destino: Mourinho volta ao Benfica… sozinho
Agora, em 2025, o cenário é bem diferente. Mourinho regressa à Luz como treinador principal depois da saída de Bruno Lage, na sequência da desastrosa derrota frente ao Qarabag para a Liga dos Campeões.
Desta vez, ninguém tentou impingir-lhe um adjunto indesejado. A nova direção liderada por Rui Costa garantiu total liberdade técnica a Mourinho, que chega com a sua equipa habitual, sem qualquer vestígio do passado.
A história repete-se, mas com final diferente. O homem que um dia virou costas ao Benfica por recusar trabalhar com Jesualdo, está de volta ao clube que o lançou – sem concessões, sem filtros e com tudo para provar.
O que mudou em Mourinho (e no Benfica)
Hoje, aos 62 anos, Mourinho traz na bagagem uma carreira de troféus, polémicas e frases imortais. E vem para um Benfica ferido no orgulho, a precisar de liderança, identidade e, acima de tudo, vitórias.
O episódio com Jesualdo Ferreira é um reflexo da sua personalidade intransigente – e, para muitos, da razão por que é especial. Pode ter recusado o clube no passado, mas não se recusou a si próprio.
Agora, a história volta a cruzar-se com a Luz. E Mourinho está de volta. Por vontade própria. À sua maneira.
O burro ficou no passado. Mourinho é o presente.
O regresso de José Mourinho ao Benfica não é apenas um regresso ao clube onde tudo começou. É a reconciliação com uma história interrompida, marcada por desavenças e orgulhos. Desta vez, ninguém impôs o que não devia. Desta vez, Mourinho volta como quer – e com quem quer.
O Benfica entregou-lhe as chaves do balneário. E Mourinho, fiel ao seu estilo, já deixou claro: ou fazem à sua maneira… ou não fazem.
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